Autor: Orivaldo Guimarães de Paula Filho
Para melhorar a nossa performance no trabalho é fundamental desenvolver a capacidade de aprender com a experiência cotidiana e aplicar esse aprendizado rapidamente em novas situações.
Você conhece um servidor que aprende qualquer coisa rapidamente?
Que não se desespera quando as mudanças ocorrem? Sejam de ordem geral ou mesmo específicas.
Que vira referência no órgão público porque está sempre um passo à frente dos demais servidores?
Esse é o tipo de servidor que podemos dizer que tem as capacidades de aprendizado e consegue aplicar de maneira assertiva e rápida em novas situações.
Também é preciso entender que estas capacidades não são dons divinos, as pessoas não nascem assim, estas são habilidades que você aprende e treina e são essenciais para a melhoria do desempenho e da produtividade em qualquer ambiente de trabalho.
Estes servidores costumam observar os padrões de trabalho rapidamente, fazem as perguntas certas e nas horas certas, testam hipóteses, analisam e aprendem com o que não deu certo e aplicam o que aprendem na prática.
Atualmente as mudanças tecnológicas e a ampliação nas demandas dos cidadãos em busca de melhor qualidade e rapidez na prestação dos serviços públicos exigem que os servidores tenham maior capacidade de aprendizado e de resposta. Estes servidores conseguem atuar de maneira serena adotando novos processos de trabalho com rapidez e buscando a inovação, desenvolver a capacidade de aprendizado pode ajudar a reduzir o tempo entre o erro e o aprendizado do correto, aumentar a produtividade da entrega dos serviços e criar uma cultura organizacional voltada para a inovação e o aprendizado.
Entendemos que para desenvolver esta capacidade é de suma importância que os servidores tenham curiosidade para questionar, explorar e deixar de lado a cultura do “sempre foi assim”, do “sempre fiz assim” e criar uma nova cultura do “por quê?” e do “e se?”.
Ter disposição de tentar fazer diferente, de tentar fazer o novo, sem nenhuma garantia além da tentativa, sabendo que é sempre importante experimentar, fazendo mesmo que não fique perfeito e lembrar que sem esta disposição, o aprendizado fica apenas na teoria.
Capacidade de reflexão, de parar, de analisar, de perguntar: o que aconteceu? o que aprendi? como devo aplicar este conhecimento? Refletir sobre o trabalho de maneira estruturada e entendendo que não podemos cometer os mesmos erros.
Adaptar-se ao novo sejam pensamentos, projetos, processos, comportamentos, transformar o que aprendeu em ação, realizando o fechamento do ciclo: aprender => refletir => aplicar.
Sabendo o que é a capacidade de aprendizado você deve estar perguntando e como eu posso implementar isso aqui no órgão público a que estou vinculado, como fazer com que a minha equipe de trabalho possa desenvolver tudo isso.
Como tudo na gestão, devemos iniciar por um diagnóstico que nada mais é do que fazer algumas perguntas estruturadas para você mesmo.
Quantas vezes o grupo de servidores que você comanda ou supervisiona tentou fazer algo diferente no último trimestre?
Em caso de alguma atividade que não foi bem sucedida o grupo de servidores que você comanda ou supervisiona conversou sobre o possível aprendizado desta experiência?
Os gestores questionam ou apenas determinam o que deve ser realizado?
Os servidores deste grupo sob sua responsabilidade reconhecem os seus erros, suas falhas ou apenas as escondem e desconversam?
Quanto tempo demora entre a detecção do erro e o início da implementação da correção deste erro?
Analise suas respostas e verifique como será o seu trabalho, sempre lembrando que você deve responder com honestidade, tendo em vista que qualquer processo de mudança ou de transformação assim se inicia.
O próximo passo deve ser o investimento em capacidade de aprendizado para os gestores, já que são estes que devem conduzir os questionamentos a todos os atores, assim estes devem ser capacitados para o aprendizado de realizar os questionamentos visando a transformação das experiências – erros e acertos. É sempre importante questionar, o que deu certo e o que está dando certo? o que funcionou e o que não funciona e por quê? se você tiver que fazer algo novamente, fará diferente? como será este diferente? como devemos aplicar no futuro? Estas questões tem o poder de transformar os erros em capacidade de aprendizado e o desenvolvimento destas habilidades nos gestores e o que faz a cultura mudar.
Outro ponto muito importante é a criação de um ambiente de segurança psicológica já que os servidores não irão tentar fazer nada novo se tiverem medo de errar, os erros devem ser vistos como oportunidade de aprendizado e não como de punição, que muitas vezes é informal e pode até mesmo ser considerada assédio moral. E neste momento você deve estar pensando, como fazer para ter este ambiente no local de trabalho, entendemos que é bem simples e os gestores terão papel fundamental. Devemos compartilhar os nossos erros, afinal os gestores também erram e esta atitude ajuda a humanizar a gestão. Não humilhe o servidor que errou, converse com ele, verifique o que ocorreu, quais as suas dificuldades e aprenda em conjunto com ele. Reconheça publicamente o aprendizado após o erro e não culpe a capacidade de aprender, afinal ninguém sabe nada de antemão.
Implemente o que podemos nomear como testes de capacidade de aprendizado, através de diálogos rápidos e estruturados visando o aprendizado e o ajustamento, além da evolução da equipe de trabalho. Para isso podemos utilizar o modelo:
Formular uma hipótese, se fizermos …, conseguiremos ….
Testar em tempo curto de semanas e não meses.
Definir um indicador de sucesso, afinal temos que ter bases para comparação futura.
Resultado deve ser divulgado e caso tenha funcionado devemos implantar, caso não funcione devemos verificar o motivo gerando aprendizado e realizar novo teste.
Na organização pública é essencial o aumento da curiosidade e das oportunidades de aprendizado pelos servidores, mas também pelos gestores, tendo em vista que a ausência de questionamentos e de aprendizagem faz com que os servidores tenham uma rotina automática e desgastante, e daí que iremos verificar a capacidade de aprendizado. Deste modo, devemos dedicar todos os dias algum tempo do trabalho para aprender alguma atividade nova ou adquirir algum tipo de novo conhecimento, ter, por prática, a criação de grupos de estudos internos, trazer informações de novas práticas de sucesso de outros ambientes de trabalho que pode ser até privados, mas é preciso adaptá-los para a realidade da Administração Pública e finalmente, provoque o questionamento ao que é obvio.
Quando da realização de entrevistas, que podem ser para o processo de avaliação do desempenho funcional, busque perguntas instigantes e que não sejam genéricas, faça perguntas que aflore a capacidade de aprendizado, que pode ser sobre uma situação em que você não conseguiu lidar bem e como posteriormente você aprendeu com esta situação. Qual foi a maior alteração de atitude que você já realizou? Qual foi a oportunidade de aprender mais estranha que você aproveitou nos últimos tempos? Normalmente estas questões costumam render histórias de aprendizados incríveis e pode destravar o contato com os membros da equipe de trabalho.
E por último, é preciso medir e acompanhar os resultados de aprendizagem dos servidores que compõem a sua equipe de trabalho, não é necessário criar nenhum tipo de indicador complexo, então vamos falar de algumas medições que devemos fazer.
Qual o tempo que os servidores demoram para aprender uma nova atividade ou utilizar uma nova ferramenta tecnológica?
Quantos testes de capacidade de aprendizado foram realizados no período de tempo analisado?
Destes testes quantos geraram aprendizados positivos e quantos não tiveram sucesso?
Com estas questões transformamos a capacidade de aprendizado em algo que podemos metrificar e justificar o que estamos realizando.
Nestes tempos de grande mudança tecnológica e comportamental é essencial que tenhamos uma grande capacidade de aprendizado de novas competências, de novas habilidades, de novos comportamentos para que possamos atender aos anseios não apenas dos gestores, mas também e principalmente dos cidadãos.
O Consultor Orivaldo e o IBRAP possuem diversos programas de capacitação voltados exclusivamente para servidores públicos e que tratam do tema aprendizagem para conhece-los, ter mais informações e, se interessado, realizar a sua inscrição acesse nosso sítio em https://www.ibrap.org.br ou mesmo entre em contato através de nosso WhatsApp (16) 99173-6760.
Orivaldo Guimarães de Paula Filho
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